Levando em consideração a situação de dificuldade enfrentada pela produção cultural do Estado do Rio de Janeiro, amplamente discutida e noticiada pela imprensa, apresento o presente projeto de lei com a finalidade de isentar os teatros do pagamento da taxa de incêndio instituida pela lei n° 622, de 02 de dezembro de 1982, que criou o fundo especial do Corpo de Bombeiros.
ANTENA COLETIVA
ENTREVISTA:
Mônica Martelli
Trinta e cinco anos, jornalista e... solteira. Há mais de um ano, ela viaja para Marte em busca de um marido. Esta é Fernanda, personagem de um dos maiores sucessos do teatro carioca, a peça “Os homens são de marte...e é pra lá que eu vou”. E a conversa de hoje é com a atriz Mônica Martelli.
Além atuar, você também é a idealizadora da peça. Como foi a criação da Fernanda?
Mônica Martelli: Eu escrevi o texto quando estava solteira. Fiquei três anos solteira, então todos os dramas, alegrias, desesperos e as coisas engraçadas que a Fernanda passa, eu passei. Então, as histórias são baseadas na minha vida, quer dizer, são aumentadas, as coisas que eu vi, que eu vivi, que eu ouvi, eu escrevi. Acho que a identificação da platéia é o sucesso dessa peça, porque tem uma identificação muito grande, porque são coisas muito reais que estão em cena.
(...)
Você começou praticamente sozinha, ensaiando na sala da sua casa. Você acha que a falta de patrocínio ainda é um grande problema para o teatro brasileiro?
Mônica: É um grande problema, porque, na verdade, eu consegui fazer isso porque é um monólogo, é uma atriz, um figurino. Então, eu pude ensaiar na sala da minha casa, pude estrear, posso viver de bilheteria, sem ter patrocínio. Agora, um espetáculo que tenha cinco, seis, sete atores é impossível, você não tem como pagar todo mundo, você não tem como pagar a produção, você não tem como pagar figurino. É uma realidade, uma dificuldade grande do teatro, porque, na verdade, o que que deveria acontecer? Deveria ter uma fila de patrocinadores na porta da gente: “eu quero te patrocinar”. Por quê? Porque tem lei de incentivo, o dinheiro que o patrocinador dá é um dinheiro descontado do imposto de renda, é o dinheiro que ele paga, ele tem o direito de investir em cultura, ele deve investir em cultura, mas nem todo mundo pensa assim. Então, é uma dificuldade.
Infelizmente, por encontrar poucos líderes e gestores sensíveis e conscientes da importância das ações artísticas e culturais, grande parte desiste e fica impossibilitada de ocupar o seu tempo livre com atividades voltadas para o próprio crescimento humano e social, comprovando o que disse o ministro o Ministro Gilberto Gil em discurso na câmara dos deputados no ano de 2004: “(...) Há muitas iniciativas culturais que nascem, e na maior parte das vezes morrem, nas periferias e no interior do nosso país, sem que o Brasil possa se dar conta de quanto talento é capaz o seu povo.”
Assim considerando a relevância e o interesse social da matéria, conto com o apoio dos meus pares para a aprovação do presente Projeto de Lei.