DECLARA O ESPORTE JUI JITSU COMO PATRIMÔNIO IMATERIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.

Número do projeto: 
PL2941/10
Data de apresentação: 
Mar 2010

PROJETO DE LEI Nº 2941/2010
EMENTA:
DECLARA O ESPORTE JUI JITSU COMO PATRIMÔNIO IMATERIAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO.
Autor(es): Deputado EDINO FONSECA

A ASSEMBLÉIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
RESOLVE:
Art. 1º Declara como patrimônio imaterial do Estado do Rio de Janeiro o esporte Jiu Jitsu, originado da arte marcial trazida ao Brasil pelo mestre Mitsuyo Meada e passado à Carlos Grecie em 1916 que a transmitiu à família Gracie.

Art. 2º Esta Lei entrará em vigor na data de sua publicação.
Plenário Barbosa Lima Sobrinho, 10 de março de 2010.

ÉDINO FONSECA
Deputado Estadual

Justificativa: 
O presente Projeto de Lei objetiva declarar o esporte Jiu Jitsu, originado da arte marcial trazida ao Brasil pelo mestre Mitsuyo Meada e passado à Carlos Grecie em 1916 que a transmitiu à família Gracie, como patrimônio imaterial do Estado do Rio de Janeiro. A história mais divulgada de praticamente todas as artes marciais orientais se insere na mesma tradição lendária da origem do Zen, ao qual se pretende que estas artes marciais estejam ligadas em sua origem: o Zen teve origem na Índia, através da difusão feita por missionários budistas saídos desta região e, nesta linha, se chega à figura lendária de Bodhidharma, indiano que teria sido o 28º patriarca do Zen, fundador do Mosteiro Shaolin, na China, de onde se teriam originado os estilos do kung fu (Wu Shu), exportados para o resto do Oriente nesta clara tentativa de ligar todas as artes marciais orientais a esta lendária origem comum com a origem do Zen. Mas se mesmo esta origem do Zen, na literatura especializada no assunto, é vista pelos estudiosos sérios, como Allan Watts, como tentativa piedosa de traçar uma ligação contínua da tradição com a origem remota na figura do Buda, com muito mais razão o estudioso sério de artes marciais deve ser alertado para o perigo de aceitar a Índia ou mesmo a China como "origem" de todos os estilos de luta oriental. Segundo um especialista do quilate de Donn Draeger, PhD em Haplologia e especialista em Artes Marciais orientais, “o jujutsu em si é produto japonês”. Para ele, atribuir ao Jiu jitsu origem mesmo chinesa (sobre a “origem indiana” ele nem cogita) é o mesmo que atribuir ao inventor da roda o desenvolvimento dos carros modernos... (Donn F. Draeger. Classical Budo. p. 113). Mesmo numa obra escrita por autores da família Gracie, como o livro de Jiu jitsu do Royce e do Renzo Gracie, vemos uma discussão mais realista sobre esta questão das origens do Jiu-jitsu. Antigamente havia vários estilos de jiu-jitsu, e cada clã tinha seu estilo próprio. Por isso o jiu-jitsu era conhecido por vários nomes, tais como: kumiuchi, aiki-ju-jitsu, koppo, gusoku, oshi-no-mawari, yawara, hade, jutai-jutsu, shubaku e outros. No fim da era Tokugawa, existiam cerca de 700 estilos de jiu-jitsu, cada qual com características próprias. Alguns davam mais ênfase às projeções ao solo, torções e estrangulamentos, ao passo que outros enfatizavam golpes traumáticos como socos e chutes. A partir de então, cada estilo deu origem ao desenvolvimento de artes marciais conhecidas atualmente de acordo com suas características de luta, entre elas o judô e o aikidô. O Jiu-jitsu era tratado como jóia das mais preciosas do Oriente. Era tão importante na sociedade japonesa que chegou a ser _ por decreto imperial _ proibido de ser ensinado fora do Japão ou aos não japoneses, proibição que atravessou os séculos até a primeira metade do século XX. Era considerado crime de lesa-pátria ensiná-lo aos não japoneses. Quem o fizesse era considerado traidor do Japão, condenado à morte, sua família perdia todos os bens que tivesse e sua moradia era incendiada. Com a introdução da cultura ocidental no Japão, promovida pelo Imperador Meiji (1867-1912), as Artes Marciais caíram em relativo desuso em função do advento das armas de fogo, que ofereciam a possibilidade de eliminação rápida do adversário sem o esforço da luta corporal. As artes de luta só voltaram a ser revalorizadas mais tarde, quando o Ocidente também já apreciava esse tipo de luta. Por muito tempo, o Jiu-jitsu foi a luta mais praticada no Japão, até o surgimento do Judô, em 1882. O Jiu-jitsu caiu em desuso e perdeu a sua popularidade quando a polícia de Tóquio organizou um combate entre as escolas mais famosas de Judô e Jiu-jitsu que teve por resultado 12 combates de 15 ganhos pelo Judô e um empate. Desta forma a polícia de Tóquio, que resume a sua eficácia a arte marcial pois não usavam armas, escolheu a prática do Judô, desta forma o Judô ganhou fama e popularidade por todo o Japão. Mas o Jiu-jitsu não foi esquecido nem apagado, a sua prática foi mantida viva por algumas escolas. Nos dias de hoje é difícil encontrar a arte marcial antiga e original do Jiu-jitsu pois sofreu algumas variantes e influencias de outras artes marciais de forma a adaptar-se as novas realidades e necessidades dos praticantes. As principais escolas japonesas de Jiu-jitsu são as seguintes: • Araki-ryu • Daito-ryu aiki-jujutsu • Hontai Yoshin-ryu • Sekiguchi Shinshin-ryu • Sosuishitsu-ryu • Takenouchi-ryu • Tatsumi-ryu • Tenjin Shinyo-ryu • Yagyu Shingan Ryu • Yoshin Ryu NO BRASIL Em 1917, Mitsuyo Maeda, também conhecido como conde Koma, foi enviado ao Brasil em missão diplomática com o objetivo de receber os imigrantes japoneses e fixá-los no país. Sensei da Academia Kodokan de judô, Maeda ensinou Carlos Gracie em virtude da afinidade com seu pai, Gastão Gracie. Carlos por sua vez ensinou a seus demais irmãos, em especial a Hélio Gracie. Neste ponto surgem duas teorias. A primeira alega que Maeda ensinou somente o judô de Jigoro Kano a Carlos, e esse o repassou a Hélio, que era o mais franzino dos Gracies, adaptando-o com grande enfoque no Ne-Waza - técnicas de solo do judô, ponto central do jiu-jitsu desportivo brasileiro. Para compensar seu biotipo, a partir dos ensinamentos de Carlos, Hélio aprimorou a parte de solo pelo uso do dispositivo de alavanca, dando-lhe a força extra que o mesmo não dispunha. A segunda teoria, apoiada pelos Gracies, fala que Maeda era, também, exímio praticante de jiu-jitsu antigo, como Jigoro Kano, e foi essa a arte que ensinou aos brasileiros. Porém, em uma recente entrevista, Hélio Gracie afirma que "Carlos lutava judô", que "Não 'existe' mais Jiu-Jitsu no Japão, e que os lutadores de Newaza japoneses que praticam MMA hoje em dia, são essencialmente Judocas" e finalmente que "Criou o Jiu-Jitsu existente hoje.". É certo que o jiu-jitsu tradicional de muito difere do praticado no Brasil atualmente. Este possui imobilizações, chaves e finalizações que privilegiam mais o uso da técnica em detrimento da força; assemelhando-se bastante ao Judô "Kosen" da época de Jigoro Kano. O Judô existente antes da Segunda Guerra Mundial, ensinado à Mitsuyo Maeda, fora influenciado, como já dito, por muitas escolas e, dentre elas, a "Kosen", que privilegiava o trabalho de solo sem limite de tempo. Tais evidências, acompanhadas pelos clamores de Hélio ao fim de sua vida, enaltecem a probabilidade da teoria de que o Jiu-Jitsu brasileiro surgiu do Judô ser verdadeira. Quem foi CARLOS GRACIE? Carlos Gracie (Belém, 14 de setembro de 1902 - 7 de outubro de 1994) foi um mestre do Jiu-Jitsu no Brasil. Filho de Gastão Gracie e aluno de Mitsuyo Maeda, ele é considerado o criador do Brazilian Gracie Jiu-Jitsu (BJJ) e o precursor de todos os lutadores que tornaram a família Gracie mundialmente famosa. Seu aluno mais famoso é o irmão mais jovem, Hélio Gracie. BIOGRAFIA Carlos era de estrutura física desvantajosa para combates corporais e encontrou no Jiu-Jitsu um meio de obter auto-estima e realização. Natural de Belém do Pará, mudou-se para o Rio de Janeiro aos dezenove anos de idade, estabelecendo-se como professor dessa arte marcial. A partir daí, correu todo o Brasil para ministrar aulas e principalmente para desafiar lutadores famosos e com isso provar a superioridade do BJJ. Em 1925, ele retornou triunfante ao Rio de Janeiro e abriu a primeira Academia Gracie de Jiu-Jitsu. Seus irmãos Oswaldo e Gastão eram seus assistentes e seus irmãos menores George, com quatorze anos, e Hélio, com doze anos, passaram à sua guarda. Todos aprendiam o BJJ sob seu comando. Carlos não desenvolveu apenas sua técnica de treinamento físico e de combate como também toda uma filosofia e até mesmo uma dieta natural, concebida por ele mesmo, que veio a se tornar o embrião do que hoje é conhecido como dieta Gracie. Disposto a consagrar o BJJ em todo o país, Carlos iniciou a tradição dos desafios Gracie, eventos nos quais ele convidava para combates os mais possantes lutadores da época, sempre no intuito de atrair a mídia e formar uma tradição familiar de grandes lutadores. Carlos fez de quatro a cinco lutas célebres, sendo a última delas contra Rufino, em 1931, e outra no Rio de Janeiro, contra o capoeirista Samuel. "Lá pelas tantas o Samuel se viu obrigado a agarrar os testículos dele", rememora Rilion, um dos vinte e um filhos de Carlos e também faixa-preta. A mais famosa, no entanto, foi um clássico Gracie x Japão, realizado em São Paulo, em 1924, contra Geo Omori, que se proclamava representante do Jiu-Jitsu japonês. Esse foi o combate que mais marcou a carreira de Carlos. Quase ao final dos três rounds de três minutos, ele encaixou uma chave inapelável no braço do adversário e olhou para o árbitro, que mandou seguir a luta. Então Carlos quebrou o braço do rival, mas este não se abalou e ainda causou uma queda em um desconcentrado Gracie, antes do final da luta, que terminou empatada e com ambos se reverenciando, isso em um tempo em que só "batendo ou dormindo" alguém saía derrotado. A cena mais marcante, porém, ficou por conta da torcida paulista, que atirou os chapéus no ringue tão logo o brasileiro partiu o braço do adversário. "Ele se especializou no armlock", atesta sempre orgulhoso Rilion, "Pois uma coisa era dar o armlock quando o cara dava bobeira, mas ele avisava antes, ‘vou te ganhar no armlock’, e o cara encolhia o braço. Então ele desenvolveu uma técnica de como buscar o braço quando o cara sabia que ele ia no armlock. Ao meu ver, isso é o início do aperfeiçoamento do Jiu-Jitsu Brasileiro, que é marcado por induzir o adversário ao erro, onde o mais fraco consegue superar o mais forte". Ao se mostrarem capazes de derrotar adversários vinte e até trinta quilos mais pesados, os Gracie conquistaram notoriedade internacional e solidificaram o Gracie Jiu-Jitsu, que se diferencia da forma tradicional desse esporte devido ao aprimoramento da luta de chão e aos golpes de finalização. Mais do que isso, eles conseguiram modificar as regras internacionais (estabelecidas pelo Jiu-Jitsu japonês) nas lutas que promoviam e com isso, pela primeira vez no mundo, mudaram a nacionalidade de uma luta ou esporte. Hoje o Brazilian Jiu-Jitsu é o estilo dessa arte marcial mais praticado no mundo, até mesmo no Japão. Carlos Gracie morreu em 1994, com a idade de noventa e dois anos. CONFEDERAÇÃO BRASILEIRA DE JIU JITSU Fonte: http://www.cbjj.com.br/carlos1.htm consultado em 02/03/2010 O Jiu-Jitsu deu um rumo em minha vida” – Carlos Gracie “Uma das maiores heranças que ele deixou foi o poder da disciplina e da força de vontade” – Rilion Gracie Em 1994, o Brasil perdia a alma do Jiu-Jitsu, mas seu legado... O primeiro arqui-rival dos Gracie não foi nenhum japonês, mas sim um nativo casca-grossa. No inicio do século XX, o pequeno Carlos, neto de um imigrante escocês que se estabelecera na verde Belém do Pará, não hesitava em enfrentar um adversário de olhos arregalados, estilo rasteiro e unhas e dentes. Não era raro se flagrar aquele irrequieto filho de um figurão local brincando de pique-pega com um jacaré que vivia no rio próximo à casa do menino. O Gracie sempre levava vantagem: curioso e dotado de um senso de observação aguçado, Carlos havia percebido que o réptil não enxergava debaixo d’água, apenas nadava em linha reta, e para mudar de trajetória tinha de pôr a cabeça para fora. Saindo simplesmente da direção dos dentes do animal, o Gracie vencia sempre. Essa e tantas outras histórias foram resgatadas pela filha Reyla Gracie e aparecerão pela primeira vez no livro em que ela quer contar a história do pai, nascido em 14 de setembro de 1902, o primeiro membro da família a tomar contato com a arte marcial que, nos anos que se seguiriam, seria impossível dissociar do nome Gracie. O Jiu-Jitsu, assim, foi a vida de Carlos (e vice-versa) desde que seu pai Gastão, tentando canalizar a energia do menino que mostrava ter poucos limites, o deixou aprendendo uma nova luta com um japonês seu amigo, Mitsuyo Maeda, já conhecido como Conde Koma. Aos 14 anos, assim, Carlos começaria uma saga que, mesmo sem ninguém supor, ganharia ringues e academias de todo o planeta. Ou será que alguém já poderia imaginar? “De todos os alunos que o Conde Koma ensinou, que não foram poucos, já que ele viajava o mundo e vivia profissionalmente do Jiu-Jitsu, somente um aluno entendeu a grandeza daquele conhecimento, adotando o Jiu-Jitsu como profissão. Acredito que meu pai Carlos teve desde cedo essa compreensão do que ele começava a aprender, não foi à toa ele ter criado uma escola que perdura há 80 anos”, afirma Reyla, que trabalha no livro desde 1999 reunindo entrevistas, recortes da imprensa da época, livros e documentos sobre o assunto. De fato, quando Carlos começou a travar os primeiros contatos com as técnicas de Conde Koma, em 1916, o jovem Gracie ainda era uma personalidade em formação, tal qual a rústica Belém do Pará, que fazia as vezes de porto de entrada do Brasil, com influências das culturas européia e japonesa, e por outro lado era totalmente selvagem, com índios, mata fechada e os rios onde os mais destemidos brincavam. “O Jiu-Jitsu deu um rumo em minha vida”, costumava dizer Carlos. Dedicado aos treinos e interessado nas técnicas, não demorou para que o irmão mais velho de Helio Gracie se destacasse dos demais alunos. “Certa vez o Conde Koma precisou de um voluntário para demonstrar uma espécie de estrangulamento, e o Carlos se ofereceu. O japonês não aceitou e chamou outro, e depois explicou a meu pai: ‘Você será um campeão, e não está aqui para ser estrangulado’”, lembra o faixa-preta Rilion, um dos 21 filhos do patriarca da família famosa. Com as constantes idas e vindas do nômade Maeda, Carlos não diminuía o ritmo de treinamentos, passando a apurar as técnicas com outro aluno do japonês, o empresário local Jacinto Ferro. “O admirável é que nem o Ferro nem o Conde Koma estabeleceram uma academia por ali, nenhum pupilo levou adiante, e o Jiu-Jitsu no próprio Pará desapareceu. Quem o levaria de volta foi, décadas depois, alguém que aprendera na escola dos Gracie, no sudeste do país”, lembra Reyla. Com a situação deteriorando e
Lei correspondente: 
5747/2001